Um curioso detalhe que muito me espantou no cenário português contemporâneo foi ter encontrado tantas palmeiras enfeitando as casas no Norte do país. Segundo me explicaram os próprios moradores, essa apetência pelas "arecáceas" é obra de retornados brasileiros ou simplesmente portugueses que tencionam dar um ar tropical às suas moradias lusitanas. Ora, nada mais representativo no que tange ao imaginário paradisíaco luso-tropicalista do que uma vistosa palmeira! Lembremo-nos da famosa Canção do Exílio, de um então estudante de Direito na Universidade de Coimbra, Gonçalves Dias – curiosamente fruto do amor entre um comerciante português e uma cafuza brasuca da melhor mestiçagem – que numa noite de verão, em 1843, não tendo mais tabernas abertas onde pudesse tomar um último trago de bagaço, deu pra cismar sozinho à noite.
Claro, os sabiás não cantam nas palmeiras de cá. Mas a verdade é que nem nestas nem nas brasileiras! Afinal, que me desculpe o saudoso estudante brasileiro, sabiás não gostam e nem nunca gostaram tanto assim de palmeiras; preferem, antes, árvores mais ramificadas, como um pé de goiaba ou uma laranjeira. Do que deduzimos: tanto o paisagismo minhoto contemporâneo quanto o poema romântico sentem saudade de um Brasil que é mítico.
E o psicodrama sobrevive no tempo e se expande no espaço da descoberta às avessas!