sexta-feira, 30 de abril de 2010

ENTRE O LIVRO E A LIBERDADE II

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“Entre o Livro e a Liberdade” foi o nome dado à instalação poética idealizada pelo Colectivo Silêncio da Gaveta, em 2010. Já é o segundo ano da empreitada; em 2009, ganhou vida a instalação “Dez passos depois das árvores”. O título deste ano refere-se a uma ponte entre as comemorações do Dia Mundial do Livro, 23 de Abril, e da Revolução dos Cravos, 25 de Abril. Seu sentido faz-se na medida em que Poesia e Liberdade alimentam-se mutuamente. Sem uma, a outra perece.
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O Colectivo não poderia ter encontrado imagem mais lírica do que esta: enraizar a poesia, fazê-la flor. Nada mais livre também do que materializar a metáfora. E foi assim que surgiu a ideia deste ano: plantar poemas, jardins cheios deles, na Avenida Júlio Graça. A cidade é Vila do Conde, pela qual já passou uma casta de grandes figuras da literatura portuguesa, como Antero de Quental, Camilo Castelo Branco, Eça de Queiroz, Guerra Junqueira, José Régio. Mais antiga que a própria fundação de Portugal, a Vila foi desde sempre palco de homens ligados ao mar – pescadores, navegadores ou poetas. A cidade, hoje, respira arte e cuidado estético, sendo palco de criativas iniciativas e berço de artistas que se destacam pelo trabalho e atuação no cenário nacional – como Valter Hugo Mãe, João Rios, Isaque Ferreira, Isabel Lhano e Nelson d’Aires.
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Neste ano, centenas de poetas de trinta diferentes países responderam à convocatória. E tal como um jardim no qual plantássemos flores oriundas de distintas partes do mundo, a Avenida Júlio Graça transformou-se numa antologia multilíngue, uma celebração entre poetas de quase todos os continentes.
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Tive a sorte de estar presente em corpo e poesia – olhos em busca de poetas da minha ilha, que deixei encantada do lado de lá do Atlântico. Não tenho a certeza se encontrei as flores de todos os capixabas que acudiram ao chamado lusitano; mas aquelas que fui cheirando pelo caminho estão registradas em fotos no meu álbum. Também lá estão capturadas as imagens de alguns outros exemplares da flora brasileira. Espero, amigos, conduzi-los, através das imagens, para este espaço lúdico pelo qual caminhei.
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Agradeço, dum lado, aos amigos jardineiros Manuel Vasques (João Rios) e José Peixoto pela estupenda iniciativa. D’outro, aos meus queridos conterrâneos por terem sido tão cúmplices nesta séria brincadeira que foi a instalação “Entre o Livro e a Liberdade”. Mal posso esperar para conferir as próximas edições!
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Endereço para as fotos:
http://picasaweb.google.pt/aventuradoxavier/EntreOLivroEALiberdade

terça-feira, 13 de abril de 2010

CARALHOS À MANCHEIA




Há algum tempo, já nada posto; prostrei-me. Ando distante do meu avatar. Nem no twitter, cuja demanda é tão parca, escrevo. Bom sinal, caros amigos, a vida pede por mim! Entretanto, comovida pelo pedido de Andréia Delmaschio, e a fim de confraternizar convosco a data do meu aniversário, desemerdo-me. E sobre o que me apetece dizer: caralhos.
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Explico-me. Desde que vim para cá viver, caralhos me rondam. Seja nas ruas, nos mercados, ou nos comboios, eles sempre aparecem para me visitar ouvidos. No princípio me espantava por ouvir nascerem caralhos tão majestosos até mesmo nas bocas das senhorinhas de brancas madeixas. Não conhecia que os portugueses aqui do Norte mantivessem essa qualidade e quantidade de grossas palavras. Mas a verdade é essa. Dizem assim, sem nenhum pudor, um caralhinho aqui, outro acolá. E mais do que uma interjeição, aqui em Portugal eles estão tão presentes na fala que mais se assemelham a uma pontuação expressiva.
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Claro, os caralhos não vêm sozinhos; são acompanhados por um séquito de outros respeitáveis vocábulos – alguns dos quais, nossos velhos conhecidos. Tantos que é preciso muito esclarecimento a este respeito para entender: mesmo ao usar tanto calão, um falante nortenho pode não estar assim tão “fodido” com seu interlocutor quanto parece. Trata-se apenas de exercer integral e polissemicamente toda a “merda” a que a Língua Portuguesa nos dá direito. E que criativo discurso constroem os portugueses aqui do Norte, salpicando entre as palavras de boa família alguns dos calões mais obscenos, dignos de um Bocage!
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Dentre os variados palavrões, alguns em especial são meus queridinhos e conquistaram de uma vez por todas o meu coração. Do primeiro já fiz uso no início desta postagem, trata-se do verbo “desemerdar”. Nada existe de maior eficácia para se ouvir numa situação de conflito do que isto: Desemerda-te! Há de se concordar que tal expressão muito mais tem a dizer do que o nosso anêmico “se vira”. Outra locução antiquíssima – mas cheia de vigor – que muito aprecio é: Vá bardamerda! Alguns dizem já ter significado um dia “vá, bêbado de merda"; outros, "vá beber da merda” – e mais não digo. Para terminar a porfia, lembro-me também da magnífica concisão da palavra “caguei”. E, claro, caga-se sempre para alguma coisa. Por exemplo: Caso algum leitor sinta a sua moral ofendida por ler neste texto tantos palavrões – e particularmente porque hoje é o meu aniversário –, “caguei pra isso”!
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Saudações venturosas.
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